Vírus vira operário da nanotecnologia

nanotecnologia

Vírus operário

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Vírus fabricante de nanopartículas

Um vírus pode ser o operário ideal da nanotecnologia. E não é um operário qualquer, está mais para um vírus ourives, um artesão que fabrica fios e gotas de ouro.

As nanopartículas de ouro estão entre os materiais mais utilizados pela nanotecnologia e pela biotecnologia devido às suas propriedades elétricas, fotônicas, catalíticas etc, sem contar sua resistência à corrosão e sua biocompatibilidade.

E não se preocupe com o preço, a quantidade de ouro nas nanopartículas é tão pequena que o processo produtivo é muito mais caro do que o material utilizado.

O problema é que não é fácil fabricar nanopartículas de forma consistente – sempre com o mesmo diâmetro ou com formatos precisos, por exemplo.

Por isso, Tam Triet Ngo Duc, da Universidade da Califórnia em Riverside, resolveu encontrar um operário que pudesse manipulá-las em igualdade de dimensões – um vírus.

Vírus operário

O “treinamento” do nano-operário consistiu em modificações genéticas que tornaram o vírus bacteriófago M13 interessado em capturar átomos de ouro e organizá-los em esferoides, cada um deles medindo poucos nanômetros de diâmetro.

Os resultados foram tão bons – a qualidade e a consistência das nanopartículas de ouro produzidas – que a equipe já fala em usar o mecanismo para fabricar componentes eletrônicos.

“A natureza vem montando nanoestruturas complexas e altamente organizadas há milênios, com precisão e especificidade muito superiores às abordagens tecnológicas mais avançadas. Ao entender e tirar proveito desses recursos, essa extraordinária precisão em nanoescala pode ser usada para adaptar e construir materiais altamente avançados com desempenho anteriormente inatingível,” disse a professora Elaine Haberer, coordenadora da equipe.

Braços dos vírus

Os “braços” desses vírus artesãos são seus receptores, moléculas em sua superfície que apresentam afinidade com outras moléculas, permitindo que o vírus ligue-se a um hospedeiro grudando em moléculas compatíveis em suas células – nesse caso às bactérias que ele caça.

Modificando geneticamente os receptores para torná-los afeitos aos íons de metais usados na eletrônica, a equipe define quais íons eles desejam que “grudem” no vírus, que acabam por envolvê-lo e criar um objeto do mesmo tamanho e forma que o vírus.

A vantagem do bacteriófago M13 é que, no processo de infecção, ele se transforma em um esferoide quando em contato com água e clorofórmio, permitindo criar estruturas com formato muito preciso – outros vírus são mais “maleáveis” e não muito afeitos a assumir formatos específicos.

“A novidade do nosso trabalho está na otimização e demonstração de um molde viral que supera as restrições geométricas associadas à maioria dos outros vírus,” disse Haberer. “Usamos um processo de conversão simples para fazer o vírus M13 sintetizar nanocélulas esféricas inorgânicas com dezenas de nanômetros de diâmetro, além de nanofios com quase 1 micrômetro de comprimento”.

A técnica deverá ser usada para produzir nanoestruturas usadas em eletrodos de bateria, supercapacitores, sensores, ferramentas biomédicas, materiais fotocatalíticos e fotovoltaicos.

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Leda Abreus
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Leda Abreus

O mundo está cada vez mais quântico!

Rafael
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Rafael

Ao mesmo tempo que a tecnologia vem aumentando, a vida se torna cada vez mais vazia … saudades da década de 90.

Douglas Ceron
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Somos realmente como eu gosto de dizer; Todas as possibilidades!
Lindo demais ler este tipo de matéria e se familiarizar cada vez mais com a “quanticificação” da nova era tecnológica que se aproxima dos olhos de todos.

Márcio Henrique Brito Vieira
Membro
Márcio Henrique Brito Vieira

Show!!

João Pedro
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Eis a revolução dos circuitos elétricos. Luz pra nos!