Palestinos ainda têm muita esperança no Brasil

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No dia 31 de março, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro visitou Jerusalém e anunciou que um escritório comercial brasileiro será aberto na cidade. Ele também se juntou ao primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu no Muro das Lamentações (Al-Buraq) do complexo da mesquita de Al-Aqsa, um ato considerado equivalente ao reconhecimento do controle da ocupação israelense sobre esses locais sagrados.

A visita de Bolsonaro causou grande choque e revolta entre o povo palestino, não apenas porque esta visita à Cidade Santa está em flagrante violação do direito internacional, mas também por causa da longa história de estreitas relações entre os povos palestino e brasileiro.

Ambos os povos mantêm relações próximas há décadas, talvez até séculos. A primeira visita de um presidente brasileiro a Jerusalém foi em 1876, quando a cidade fazia parte do Império Otomano e o Brasil ainda não se tornara república. A Palestina também ocupou um lugar especial nos corações de milhões de cristãos brasileiros, que chegaram para peregrinar na Terra Santa.

Ao longo das décadas desde então, o Brasil apoiou o direito do povo palestino à liberdade e à independência, tanto em sua condição de Estado soberano quanto em estruturas regionais como o BRICs ou a Comunidade Latino-Americana. O Brasil foi o primeiro país sul-americano a reconhecer o Estado da Palestina em 2010. Ele usou fóruns internacionais para votar em apoio aos direitos dos palestinos e contribuiu significativamente para apoiar sua firmeza e bem-estar ao financiar os programas da UNRWA. O representante brasileiro em Ramallah também contribuiu diretamente para a implementação de projetos que fortalecem a infraestrutura nos territórios palestinos ocupados (OPT).

Além disso, o Brasil tem um lugar de destaque no coração dos palestinos. O Brasil possui uma grande comunidade palestina de mais de 80.000 pessoas, cujos ancestrais chegaram lá no final do século XIX. Esses palestinos contribuíram muito para a construção de sua segunda pátria, o Brasil. Nenhuma melhor prova do amor dos palestinos pelo Brasil existe do que o fato de a maioria dos palestinos torcer pelo time nacional de futebol brasileiro durante as partidas.

De volta à Palestina, estamos morando nessa terra há milhares de anos. Criamos uma civilização que contribuiu para o bem-estar da humanidade. Vivemos sob uma ocupação israelense que busca completar o crime que começou em 1948 – o Nakba – ao nos arrancarmos completamente de nossa terra, roubando-a e destruindo locais sagrados islâmicos e cristãos.

Palestinos sendo expulsos e viajando para encontrar refúgio durante o êxodo de 1948 ou conhecidos como Nakba.

Talvez nada reflita melhor a atitude de Israel em relação aos palestinos do que a retórica empregada pelos políticos israelenses durante suas campanhas eleitorais. Muitos ficaram orgulhosos de suas realizações, gabando-se de quantos palestinos mataram, quantas casas foram demolidas ou exigindo a expulsão de palestinos para países vizinhos e anexando a Cisjordânia a Israel.

Estes não são slogans eleitorais vazios, mas são realizados ininterruptamente na Palestina ocupada. Talvez o exemplo mais recente disso tenha sido os eventos na Faixa de Gaza sitiada no ano passado. No aniversário do Dia da Terra – que acontece no dia 30 de março de cada ano – dezenas de milhares de palestinos de todos os segmentos da sociedade se manifestaram pacificamente para afirmar seu direito de retornar aos lares de onde foram deslocados em 1948, no que ficou conhecido. a Grande Marcha de Retorno. Eles também exigiram o fim do cerco imposto à Faixa desde 2007, que transformou Gaza em uma grande prisão a céu aberto, descrita por alguns israelenses como campos de concentração.

A vida tornou-se impossível, tanto que as Nações Unidas acreditam que Gaza se tornará desabituável em 2020. Milhares de pessoas foram até a cerca a leste da Faixa, o que não representa perigo para ninguém, como confirmado por um recente relatório da ONU e outros direitos humanos internacionais. instituições. Essas marchas continuam hoje, um ano depois da manifestação original.

Cerca de 280 manifestantes foram mortos por forças israelenses e mais de 28.000 feridos durante a Grande Marcha, centenas dos quais eram mulheres e crianças e muitos deles ficaram feridos. Embora a Comissão de Inquérito das Nações Unidas tenha confirmado que Israel cometeu crimes de guerra contra civis pacíficos, Netanyahu considerou a morte de cerca de 300 palestinianos pacíficos “uma decisão sábia e correta”.

Nós, como povo palestino, lutamos pela liberdade, independência, o direito à autodeterminação, o estabelecimento de nosso estado independente – com Jerusalém como sua capital – e a viver em paz, como o resto do mundo.

Nesta luta, reconhecemos a importância do Brasil nos níveis regional e internacional – como um país emergente e a décima maior economia do mundo – e, portanto, enfatizamos nossa grande esperança para o apoio do Brasil aos nossos direitos. A atual política brasileira liderada pelo presidente Bolsonaro, em nossa opinião, não atende aos interesses comuns do Oriente Médio e do Brasil; essa política não se opõe apenas aos palestinos, mas a mais de 400 milhões de árabes e mais de 1,7 bilhão de muçulmanos em todo o mundo.

Jerusalém é uma cidade ocupada sob o direito internacional e ninguém tem o direito de legitimar sua ocupação, dar o aval para violar suas santidades islâmicas e cristãs, ou demolir a mesquita de Al-Aqsa para construir um templo judeu. Esta política imprudente não serve estabilidade e paz na região, mas reforça o estado de tensão, caos e extremismo, prolongando ainda mais o conflito.

O Oriente Médio só pode alcançar estabilidade removendo a causa mais importante de tensão, a ocupação israelense. Temos certeza de que o Brasil e seu grande povos pode desempenhar um papel central em ajudar os palestinos a alcançar liberdade e independência, e a região a alcançar estabilidade e prosperidade.

Que Deus ilumine os Brasileiros.

LuzPraNós!

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Márcio Henrique Brito VieiraDeborah HggThiago GalhasSayler Céfas 666 Recent comment authors
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Sayler Céfas 666
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Irmão agora mesmo eu tava pensando neles
E quando entrei agora no site não tinha nen 15 minutos q vc postou

Realmente o Brasil tem uma forte conexão com os irmãos da Palestina

Gratidão pelas excelentes matérias meu brother

Luz p nos

Thiago Galhas
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No “Brasil” eles podem ter esperança mesmo, de uma forma geral… agora, quanto a esse governo bolsonarista, entreguista, lambe saco da falsa Israel, é só lamento.
Fé no pai, viva o filho!
Luz p’ra nós!

Deborah Hgg
Membro
Deborah Hgg

Orra bem interessante. A história, quando não manipulada e distorcida, pode ser muito útil para entendermos o que vivemos. Faz tão pouco tempo que tudo isso aconteceu e em tão pouco tempo parece que apagaram da memória das pessoas todas as mazelas que esse povo causou para os mais diversos povos. Parece que as fronteiras e nações criam uma ilusão que vivemos em mundo cheio de mundos que não se comunicam, como se dormir a noite em uma cama quentinha apagasse o sofrimento por aqueles que não tem essa mesma sorte. Força aos Palestinos, enquanto eles não tiverem paz, ninguém… Read more »

Márcio Henrique Brito Vieira
Membro
Márcio Henrique Brito Vieira

Luz pra nós!