Florianópolis ganha um mapa com as benzedeiras da cidade

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Ao todo 16 pessoas que fazem esse trabalho foram catalogadas no guia.

 

TIA ILDA: Uma Bruxa Autêntica da Ilha de Santa Catarina!

O ato de benzer foi durante muito tempo a opção de cura para muitas pessoas que viviam em Florianópolis no século passado, sobretudo numa época em que o acesso à medicina era mais difícil.

Para manter viva essa tradição e facilitar o acesso às pessoas que fazem esse trabalho, a cientista social Tade-Ane de Amorim criou um mapa que mostra onde estão as benzedeiras e quem está à disposição da população. Ao todo, 16 pessoas foram catalogadas no guia “Benze, é Bem dizer”.

“Nossa equipe ia para as comunidades e perguntava: conhece alguma benzedeira? A partir das pessoas nas suas comunidades a gente ia mapeando essas benzedeiras. Então, quem está no mapa são pessoas que a comunidade reconhece como benzedor, como benzedeira”, diz Tade-Ane.

No Ribeirão da Ilha é onde a prática da benzedura mais se repete em Florianópolis. No lugar mora Ondina Maria de Siqueira, de 86 anos. Ela conta que o dom de benzer veio de berço e que foi ainda criança, brincando no quintal de casa, que fez a primeira cura através das mãos. Com nove anos, curou uma amiga com três benzidas.

Para benzer, dona Ondina usa um terço nas mãos, e para se proteger das energias negativas, um colar de sementes pendurado no pescoço. Ela conta que o dom de benzer está em quem nasce em dois dias específicos da Semana Santa.

“Quem nasce sexta-feira Santa ou quinta-feira Santa depois do meio dia traz um dom”, diz.

Orando e impondo as mãos, pedindo coisas boas. Assim dona Ondina faz os atendimentos na sala de casa. Atualmente com hora marcada. O peso da idade fez diminuir o ritmo de trabalho e não permite mais atender 50 pessoas por dia.

Já a psicóloga Camila Gonçalves Gomes, de 38 anos, é a benzedeira mais jovem de Florianópolis. Ela diz que iniciou a prática da benzedura depois de receber uma cura espiritual.

“Benzedura iniciou na minha vida quando eu ingressei na Umbanda, a convite de uma amiga, eu tinha um problema renal muito grave e quando ela falou isso, tem um preto velho, um trabalho de cura, eu fui. E quando cheguei lá, fui acolhida por esse preto velho que falou tudo que ninguém sabia sobre mim e disse que ali começava meu processo de autoconhecimento e de cura, para num próximo momento eu ajudar a curar as pessoas”, conta.

Camila atende em uma sala no centro da cidade. Como ela, existem outras e outros na ilha.

Mesmo com métodos diferentes de atendimentos, Ondina e Camila usam palavras que remetem a paz espiritual para tentar curar quem vem até elas. Assim como outros homens e mulheres que mantém acesos a tradição e o sincretismo.

Tia Hilda

No guia também consta o nome de uma das benzedeiras mais antigas da Ilha. Hilda Martinha Vieira, conhecida como Tia Hilda, morreu em setembro de 2018, aos 104 anos. Foi uma forma de homenagear essa benzedeira, contadora de muitas histórias.

Tia Hilda morava no bairro Pântano do Sul, no Sul da Ilha, e aprendeu a benzer com a mãe, que também mantinha a tradição, quando ela tinha 15 anos. Tia Hilda passou a vida ajudando pessoas doentes acompanhada por um terço e ervas.

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Fabi Aurelio
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Fabi Aurelio

Dale dona Hilda !!! Que lindo !!! Ela é realmente especial tive a honra de conhecer ela e toda sua família pessoalmente !! Gratidão por compartilhar a experiencia dessa grande alma !!! Luz pra nós

Josimar Lima
Editor

um dia todos conhecerão o poder da oração ou de bendizer benzer uma vida! e conheceram de forma que nem ciencia poderá negar como já temos dito aqui!

Bruno Bauler
Membro
Bruno Bauler

Matéria linda, valeu Rogério! Luz!

Leandro Quantum Oliveira.

Eu sei bem o que é ser benzido rsrsrs… lembro muito do Sr. Valdevino do Guarangui, grande benzedor da região.
Luz p’ra nós!