A grande decepção perante falsas possibilidades

possibilidades

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Iniciamos nossa vida com o que parece uma estrada larga à nossa frente – uma estrada que se ramifica em todas as direções, uma estrada que poderia potencialmente nos levar para qualquer lugar. Enquanto percorremos este caminho, no entanto, ele se aproxima cada vez mais, até que, muito antes, tudo o que nos resta é o caminho estreito que nos foi atribuído pelo nosso nível de conhecimento, uma trilha que só nos leva numa direção, quer tenhamos gostado ou não. Esse processo é chamado de “tornar-se adulto”.

 

De certa forma, é verdade que um enorme campo de possibilidades está à nossa frente quando começamos a vida. Claro que isso é verdade – a própria vida está à nossa frente e ela é infinitas possibilidades! A estrada em que estamos é tão ampla quanto a própria vida e não há como saber para onde nos conduzirá. Algo, que não é por acaso, restringe as possibilidades que estão disponíveis para nós, sem que nós percebamos qualquer “supressão de possibilidades” acontecendo ao nosso redor. Isso é o que poderíamos chamar de “distorção imperceptível da vida”. Todos nós sabemos que este processo acontece, mesmo que – naturalmente – possamos não querer nos concentrar muito nisso. Nós sabemos instintivamente que a vida  não deveria  ser assim – que não  deveria  ser um “limitação de possibilidades” – e ainda assim é de alguma forma. A entropia se instala e torna o padrão de nossa vida cada vez mais previsível, limitado e condicionado.

De certa forma, este é um processo perfeitamente natural – a entropia não é algo que os seres humanos inventaram, afinal de contas. Essa “limitação” ocorre como resultado de ficarmos presos em nossos próprios hábitos, nossas próprias opiniões, nossas próprias crenças sobre nós mesmos e o mundo. Sem contar a forma como nos acomodamos em receber tudo com a mais absoluta certeza existencial. Esquecemos o que é questionar o abrangente e além do óbvio.  Apreciamos opiniões e crenças batidas que, ao mesmo tempo, nos estrangulam de lenta mas efetivamente seguras. A sensação de segurança que eles engendram nos cega para o fato de que estamos formando nossa própria prisão consentida, tijolo por tijolo. Podemos chamar isso de um “processo natural” porque isso acontece como resultado de nossa própria ação – ninguém  nos  força claramente a construirmos uma cela limitadora de realidade, nós somos condicionados subconscientemente. Nós somos nossos próprios carcereiros muito dispostos, por sinal. Ficamos presos em nossos próprios hábitos mentais e verdade absolutas duvidosas que a história oficial nos conta como verdade, que se solidificam em torno de nós e bloqueiam a visão mais ampla.

O processo de transformação que descrevemos é de crescente limitação e frieza. Estamos de alguma forma amarrados aos nossos sentidos, ao modo comum de percepção. Nós vagamente sentimos que algo poderia ter sido possível além do que já o é pre definido. Se tentarmos expressar essa situação em termos religiosos tradicionais, poderíamos dizer que o homem é um ser morto.

De outro modo, contudo, poderíamos dizer que esse processo de “limitação” (ou “perda/estar perdido”) também tem um   componente externo – um aspecto que é “artificial” ou “não natural” no sentido de que é “imposto a nós”. de fora’. Esse aspecto do processo de redução é imposto a nós por uma agência externa, independentemente do que possamos desejar, e essa “agência externa” é mais geralmente conhecida simplesmente como  sociedade . O mundo social – inevitavelmente – tem algum tipo de ideia sobre “quem devemos ser” e “como devemos viver a vida” e nos empurra nessa direção. A sociedade não tem apenas “algum tipo de ideia”,  tem uma ideia muito clara e precisa! Isso é essencialmente o que a sociedade é – é um conjunto de modelos, um conjunto de ideias sobre “quem devemos ser” e “como devemos viver a vida”. O que  mais  seria a sociedade, afinal de contas?

Mesmo que seja bastante óbvio a forma que a sociedade “nos determina externamente viver”,  de outro modo não é tão óbvio. Quando começamos em nossa vida adulta e estamos olhando para o mundo social e tudo o que ele nos oferece, temos a impressão de que existem muitas possibilidades diferentes penduradas à nossa frente. As escolhas que enfrentamos são  também  muitas, se nada! Na verdade, ficamos é confusos com o amplo leque de possibilidades limitadoras, e o caminho à nossa frente parece muito amplo, nesta fase. Grande engano! Há um truque sorrateiro sendo jogado em nós aqui – este é o chamado ‘truque de vendedor’, descrito aqui por Douglas Flemons (1991):

“Como qualquer bom hipnotizador, mágico ou comediante sabe, a oferta ou disponibilidade de escolher livremente entre alternativas em um determinado nível contextual traz as particularidades da escolha para o primeiro plano da percepção consciente. Isso necessariamente relega ao segundo plano (ou seja, fora da consciência e fora do reino da escolha consciente) o contexto  ou  premissa de  nível mais alto que  determina o alcance e o significado das alternativas oferecidas. A possibilidade de escolha (entre particularidades limitantes) em um nível mascarado da totalidade proibida – que em certo sentido impede – a escolha (entre premissas) em um nível mais abrangente. ”~ Douglas Flemons

Nós nos sentimos tão empoderados por todas as escolhas aparentes que estão sendo oferecidas a nós que nós falhamos completamente em ver que qualquer que seja a opção para a qual acabamos indo, nós sempre acabaremos com a mesma coisa batida e desgastada. A “mesma coisa velha” de que estamos falando aqui é “a vida socializada”, que sempre significa descer por caminhos pré determinados, estreitas faixas que foram “decididas com antecedência” para nós obrigatoriamente seguí-las. Não importa qual papel nós assumamos, isso, a todo momento, ainda é algo que está sendo imposto a nós de fora para dentro, pois não temos noção do que possuímos interiormente. Estamos em conformidade com o modelo que foi fornecido para nós pela sociedade, não importa  o que escolhas que fazemos; podemos pensar que estamos no comando , mas na verdade é o contrário, a  sociedade está nos controlando. Quem controla os mecanismos da sociedade controla e dita nossas possibilidades de realidade.

Uma boa maneira de pensar sobre isso é em termos de ‘jogar um jogo’ – pode haver muitos papéis que podem ser jogados no jogo, mas é sempre o mesmo jogo antigo. No nível de “que papéis devo selecionar einterpertar”, pode haver uma enorme escolha, mas todas essas “escolhas” se resumem à mesma coisa, o mesmo tabuleiro! –  estamos escolhendo jogar o jogo. Todas as escolhas aparentes (e toda a emoção que vem com essa aparente falsa liberdade) se resumem a apenas uma escolha. Somos novamente vítimas do “truque do vendedor”. Então, o que há de errado com isso, podemos perguntar? O que há de errado em escolher jogar o jogo, se quisermos?

A resposta a essa pergunta é “absolutamente nada” – se realmente  sabemos  que é isso que estamos fazendo. É aí que entra o truque –  nunca nos dizem que há mais alguma coisa . Nunca nos é dada a opção de ” não  jogar o jogo”, em outras palavras, e esse é um grande engano. Não é apenas “uma grande decepção” –  é o engano final . É o engano arquetípico. Este é o engano que foi jogado em cima de nós, gentios, é o engano que é empregado como armadilha as faíscas da alma da humanidade na Falsa Criação da falsa realidade qual todos pensam ser a ÚNICA para ser experienciada.

Não há problema em optar por jogar um jogo se soubermos que é isso que a escolha  é,  em outras palavras, mas se  não  sabemos que é apenas um jogo (se isso nunca foi explicado para nós),  então o que exatamente isso significa para nós?  Se nos estão sendo oferecidas uma versão substituta da realidade (uma ‘versão de Hollywood’ que é incomparavelmente mais estreita que a genuína) e não sabemos que fomos enganados dessa maneira (‘enganados por nosso direito de nascença’, como dizem) então como vamos nos sentir sobre isso? Existe alguma maneira de nos sentirmos  bem  em sermos enganados assim, se sabemos? Será que realmente nos sentiremos bem em gastar nossas vidas em um sociedade estéril de falsa união e, assim, deixar de perceber a verdadeira realidade em si?

Como posso eu, ficar assim, digamos, acomodado enquanto vejo a maioria esmagadora de meus semelhantes serem enganados? Existem possibilidades? Impossível!

A verdade por si só triunfará!

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João PedroRaquel BrollJosimar LimaGabriel RitterArmando Recent comment authors
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Armando
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Armando

Belo texto, mestre! Compartilhei!

Gabriel Ritter
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Gabriel Ritter

Muito bom.

Josimar Lima
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Refletir sobre essas coisas expandimos as perspectivas gratidão

Raquel Broll
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Agora nós que estamos acordando podemos ajudar a outros a ter opção de não jogar o jogo, gostei muito, parabéns !

João Pedro
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Esse texto me fez refletir sobre algumas palavras do rapper Hélião:
“Somos reféns da cidade, rua não tem liberdade
Uns estão preso à vontade, outros tão livres sem chaves
Numa prisão sem ter grades, coisa de mentalidade
Escravos da sociedade, devendo sem novidade” – RUA 3.
Luz pra nos!