sex. set 20th, 2019

Empregando ex-detentos, a PanoSocial sugere novos rumos para a moda

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trabalho escravo ainda é uma triste realidade no Brasil. Para que o cenário mude, é preciso incentivar o surgimento de medidas como as adotadas pela PanoSocial, que ao empregar ex-detentos e implementar um sistema de produção sustentável, sugere novos rumos para a indústria da moda.

A fábrica de confecção da empresa está localizada na Galeria Metrópole, no centro de São Paulo. Lá, ex-detentos são bem-vindos, foram seis desde o fim de 2015. Os sócios Natacha Lopes Barros e Gerfried Gaulhofer seguem também buscando alternativas de produção menos agressivas. Camisetas, ecobags e aventais, todos são feitos de algodão orgânico.

Boa notícia, pois a moda gera o segundo maior impacto ambiental, perdendo apenas para o petróleo. A constatação foi feita pelos próprios donos da PanoSocial, que diante de tal cenário, adotaram matérias-primas orgânicas para a confecção dos produtos. O carro chefe é o algodão, 100% orgânico. Em seguida, vem o algodão desfibrado e 100% de PET reciclado. Em ambos os casos, eles usam corantes e pigmentos naturais.

“Percebi que meu trabalho gerava o desejo de consumo. Com o projeto, vi que dava para trabalhar com bases orgânicas e mão de obra justa. No ramo da confecção tem muita bagunça, pessoas trabalhando em regimes análogos à escravidão, um sistema muito injusto onde uma marca vende camiseta a 120 reais enquanto o costureiro está ganhando entre 70 centavos e dois reais por peça”, conta Natacha Lopes ao Projeto Draft.

A ideia de adotar uma linha de produção sustentável surgiu quando o austríaco Gerfried resolveu conhecer o Brasil. Ele ficou impactado pela complexidade das questões sociais brasileiras e resolveu se estabelecer por aqui. Natacha, que além de sócia é esposa do empresário, lembra que foi por intermédio de um padre austríaco que Gerfried entrou em contato com o sistema penitenciário brasileiro.

“Ele veio de um o país de primeiro mundo, foi morar na baixo Augusta, onde precisava se desviar dos mendigos para atravessar a rua”, pontua.

E os funcionários? Na PanoSocial, costureiros recebem salário fixo e os sócios garantem que a remuneração por camiseta é duas vezes maior do que a média do mercado. Costureiros terceirizados, por exemplo, ganham em média 5 reais, ou mais, por peça.

“Produções maiores são negociadas com empresas que prestam serviço em parceria conosco e podem, até, absorver mão de obra indicada por nós”, pontua Natacha.

A companhia possui a própria grife, mas entrega produtos para grandes nomes do mercado, como o Greenpeace, Korin e C&A. A demanda é suprida com costureiros terceirizados.

No total, a PanoSocial conta com investimento de cerca de 60 mil reais, custeados por Gerfried. Atualmente, a empresa fatura R$ 150 mil ao mês e já recebeu investimentos externos de companhias especializadas no fomento de negócios, caso da Bemtevi.

“Quanto maior for o impacto da nossa marca, menos juros a gente paga”, explica o designer.

Impacto social como ferramenta de mudança. O case da Pano é um exemplo de que é sim possível lucrar e contribuir para a redução da desigualdade. O Brasil é dono da quarta população carcerária do mundo e apenas em São Paulo, entre 70% e 80% dos crimes são cometidos por reincidência. Falta de oportunidade.

“Só 9% dos ex-detentos conseguem emprego. É hora do empresariado olhar para isso. Contratar um egresso é promover também a paz social. Uma pessoa, com trabalho digno, que tem orgulho de sair de manhã e voltar à noite empregado podendo mostrar isso por seus filhos é um grande avanço social”, relata Natacha. Meio ambiente e sociedade agradecem.

 

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Freit EDL
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Ótimo. Precisamos resgatar esses cérebros que estão encarcerados.

Arlete Lima
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Arlete Lima

Nossa! Que legal 👏👏👏👏👏

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Henrique Barboza Vaz

Bacana, Luz pra nós!