sex. set 20th, 2019

Eu Mordi a Maçã – Trecho Inédito

Compartilhe a Verdade:


Adão assiste cada passo do erro de Eva, e a usa de escudo para atrever-se a saciar sua curiosidade? Afinal, havia sido aquela emoção feminina a primeira a conectar-se com o que ele jamais havia sequer pensado. E se fosse um plano de Deus? Adão fracassou ao permitir a suposta traição ao Criador ou sucedeu ao confiar em sua Criação supostamente falha?

Quão ciente de tudo isso estava ele?

O propósito da Luz é manter-se no Movimento que a destaca do doloroso Nada. Ser Luz é poder clarear, o que significa sempre ter algo em oculto. Isso é inerente à Vida.

O Objetivo é a manutenção das perguntas, e não da resposta; esta última, é em verdade, aquilo do que mais fugimos… eis aqui a Sabedoria que se leva a Eternidade para entender.

 

Capítulo 1

 

A Resposta é quem pergunta

Quem és tu?

– ‘Quem sou?!’ – Se defino o que sabes, sou tudo o que vês.

– Quem es tu que chama a Mulher?

– Quem es tu que pensa poder conter tal Resposta?

– Sou a Imagem que vive à semelhança de Deus.

– E não sabe Deus sobre tudo?

– Semelhante não é igual.

– E a diferença é tua ignorância…?

– Sou aluno que aprende e Ele Mestre que ensina, sou rio que flui e Ele Mar que guia.

– E não te guiaste, Ele, para longe de mim?

– E não guiou também a ti para me atrair?

– Então guiou a ela para lhe trair?

– E não me guiou para impedir?

– Então Ele brinca de assistir?

– Ou de nos deixar decidir…?

– Ele só lhe guia, então, de volta p’ra ti?

– Ou, quem sabe, de volta p’ra Si?

– E quem é que quer ir?

– Não vejo ninguém mais aqui…

– O que é ver p’ra ti, senão sentir? E o que sentes tu, senão o que ensinaram a ti?

A dúvida lhe faz fluir, assim queres acordar depois de dormir

e buscas percorrer cada caminho que não podes ir…

Procurando quem procura, já não estas mais ali…

nunca encontras quem só chega depois de sair.

Tudo o que entendes já é parte de ti

e não vês de fora do que sempre esteve ali…

– Dizes que Deus me ilude para ter p’ra onde ir?

– Digo que Ele vai, para que tu possas se iludir…

– Por que iria eu querer confusão e agonia ao invés da Verdade que me alivia?

– É Ele quem lhe alivia, na dúvida em que mergulhas em busca de resposta;

Já que a Verdade só pode ter valor depois que vai embora…

Como tens tu o Verbo? Como podes tu dialogar?

Não percebes que é completo, pois ainda não te vistes fragmentar…

Deus se chama Tudo, e o Nada quer lhe perguntar.

Quem duvida é o Escuro que faz de toda resposta entulho só p’ra reaprender a amar

Pois é só a Ausência, afinal, quem chama de Luz O retornar…

Deus quando se monta, se perde e se reencontra, só p’ra poder se perguntar

Assim sentes que é completo, forte e pronto p’ra desafiar.

Mas é só um recomeço, assistido por quem há muito tempo, já passou por lá.

Adão é Criado Ser Vivente

 

A existência é só constatada depois de existir

Quem é que conhece o Caminho antes de ir?

E se a Chegada não vier da Partida mas apenas a deixa vir?

 

 O Zero só existe, se o Um permitir

Juntos são Dois, com o Terceiro a assistir

E quem assiste insiste sempre em sorrir

Foca na Luz e deixa o Escuro sumir

Quem vai p’ro brilho, porém, leva a sombra sobre si

 

Pergunta e resposta é só síntese de quem se nota

Necessidade de sair de si, ser mais e ver do que se gosta

Mas o querer é passageiro e manter-se querendo é a aposta

 

Por trás de tudo o que se quer, é o alívio do Movimento que se precisa

Pois o parado estagna no Nada vazio solitário que agoniza

 

Quando a percepção se percebe acaba de chegar da Escuridão que entorpece

Cabana trevosa que cega mais protege, te esfria mas aquece, com a Luz que enaltece

É ali que o Ser percebe que quer o que sempre foi

Ser alívio agora, e deixar a dor de trás p’ra depois

É assim que o Um se faz dois e o Sol renasce do lado oposto de onde se pois

 

– Serpente tu me dizes que de tudo entendo porque sou pleno

O que me falta é só eu mesmo me escondendo

Se tirei de mim o que não tenho, e todo o resto é meu

Então parece nítido, que eu sou mesmo Deus?

 

– Semelhante não é igual…

 

Capítulo 2

 

Deus é o Sétimo dia

 

Estás a meu serviço e me invejas!

Se sabes de tudo isso, então por que rastejas?

Oh, tudo o que faço é propaganda…

Mas se não sabes de nada disso, então por que tu andas?

Porque ainda tenho p’ra onde ir

Mas uma hora terá de vir…

P’ra tomar o teu lugar?

Ou só p’ra me deixar sair…

Tudo o que sei posso evitar

Só sabes se alguém lhe contar

Eu sou Deus quando defino o Caminhar

 

Ou talvez sejas só o caminho que Ele usa p’ra pisar

O que queres me fazer constatar?

Constatar é humano, mas sentir é absoluto e soberano

Tudo o que é, evita não ser, e isso porque a Morte não te deixa esquecer

Que fora do feito só há desfazer, fora do alívio só há perecer

Todo lado escuro é o mesmo vazio uno, onde o Movimento é o único rumo

Tudo o que é vivo já percebeu, que está do outro lado do nada que percorreu

Sendo só o que existe, cada passo consiste em ser o Eu

 

Dependendo de si mesmo, todo ângulo é certeiro, focando o Centro que estabeleceu

Isso é simetria, o caminho que brilha no Escuro que se encolheu

Ali Deus descansa, em cima da Dança, onde ensina tudo o que aprendeu

 

Ali Ele entende Quem era a Certeza que sempre O convenceu

Ali Ele se lembra que dançava a música que Ele mesmo escolheu

Onde Presente, Passado e Futuro se encontram, o Poder de Deus sempre é maior que o Teu

O resto é ilusão de cada um, sonho que já morreu, lembrando a todos que foi Deus que venceu

 

 

A Vida e o Viver

Tu te divertes ao me confundir?

Tu te divertes ao persistir?

 

Eu persisto p’ra vencer a dor

Vencer é se sobrepor

Ter tudo p’ra si enquanto dura o torpor

Fora do Tudo, porém, só há o Nada

E quem fica maior que o Dia, cai na Madrugada

Oh Vitória, és tu uma cilada?

Quem te conquistas é p’ra quem a pista primeiro acaba?

Oh abençoado

Quem ganha o Presente é que tem Futuro e Passado

Algo maior que ti p’ra conter tudo o que há sobrado

Quantas surpresas por vir

Tantos sorrisos a sorrir…

Tantos presentes do Tempo

E o que sobra é só lamento

Quando já não há p’ra onde ir…

Na solidão só há tormento

Nenhuma voz p’ra fazer do eco Movimento

As certezas eliminam todo pensamento

Os três tempos viram só um mesmo Momento

Voltam p’ro antes que cospe o depois no Vento

Assim nasces tu, um grande falador no silêncio

 

 

Então eu sou Deus quando menino?

Quando Ele sai Dele mesmo e se vê sozinho!

Parecendo vítima é só o próprio autor protegido

Bem disfarçado, engana a si mesmo nesse labirinto

Assim repisa cada passo e relembra cada Flor de seu Destino

 

 

Achas que por isso és sagrado?

Que tens tudo e és abençoado?

Quem sabe um dia olhes do avesso

Veja que foste só cuspido de ti mesmo

Trancafiado n’um grande, fundo abismo de medo

Tão sufocado, é claro que vai rir com o Ar fresco

Tão manipulado é como gado que serve sempre ao mesmo

 

E assim entendes tu a todos nós e p’ra onde vamos?

Vês porque as pétalas duram dias, e os espinhos duram anos?

Te através a duvidar de Deus?

 

Tu o disseste, tu o fizeste!

Eu só fiz o papel que é meu.

O Teatro

Víbora! Me jogas de um lado para o outro

Me pões contra mim mesmo e me fazes de tolo!

Mas é deste dilema que nasce o transformar

Preferes te perder na Terra ou te afogar no Mar?

 

Prefiro o alívio de caminhar!

 

…isso porque gostas de tropeçar?

 

Gosto de poder me levantar…

Pois assim podes se mostrar?

 

Me levanto p’ra um dia poder chegar

Bem longe dessa agonia de nunca poder duvidar

Se toda Noite traz o Dia, e cada poça chove de volta no Mar

Por que deveria eu me apavorar?

O que há, afinal, p’ra se respeitar?

O fluido que flui aprendeu a estagnar

É assim que sabe o caminho que é seu e qual deve evitar

Por isso pensa e repensa cada decisão que deve tomar

Pois o Caminho é certo embora se possa errar

E maior é o Acerto que deixa todo erro sempre sobrar…

E eis por isso que nenhum Mar vira poça e nenhuma poça vira Mar

 

Dizes que p’ra Deus o não vira sim e o sim vira não?

Dizes que embora eu seja Luz perfeita, posso vir a ser Escuridão?

Digo que já estás no Escuro, pois toda essa Luz cegou tua visão

 

O que resta a mim saber? Sou o que fui ou o que quero ser?

Por que não me deixam perceber?

Sou o problema em busca da solução ou a solução de algum problema?

Sou o criador dessas perguntas, ou um escravo desse dilema?

 

Sem a dúvida, sim e não, são a mesma direção

E juntos se separam só p’ra ir na contramão

 

Agora ambos sabem quem é quem e onde está todo o medo

No lado contrário de si próprio descobrindo que é ele mesmo

Assim vai p’ra longe ofertando o seu único terreno

E então o eco vira voz quando vê o outro se movendo

Ah, ambos se conhecem bem e irão se manter querendo…

 

 

 

O Querer

Dizes que a Obra de Deus é ilusão e se desfaz?

Que não importa o que eu queira, desde que continue querendo mais?

Digo que a Obra é verdadeira, mas só A vê quem é capaz

E que não importa o que tu queiras, mas importará quando não quiserdes nada mais…

Se tu então não queres nada, por que me atiças?

O querer é poder para quem já não o quer

Toda palavra é triunfo, pois nenhuma pode lhe convencer

Tens o que move o Mundo, e já não há arma alguma contra você

Tens também, porém, de ser surdo e mudo todo dia até o alvorecer

Ou passarás a querer tudo quando todos já deixaram de querer…

O que queres é querer

Se o alívio é só uma sensação, por que não nos alivia Deus com sua mão?

Se o Inverno é só uma estação, queres que Deus mate o frio com algum eterno Verão?

 

Há de haver abrigo, peles, lenha e fogueira?

Haveria ainda lembrança de cada um que se ausenta?

 

Haveria o que Deus quisesse de haver

E haveria haver se só houvesse qualquer coisa inusitada?

Haveria Vida se Nada fosse Tudo e Tudo fosse Nada?

Sem separação haveria sequer porque haver estrada?

E sem direção não haveria de haver jornada…

E então não teríamos a Obra, mas sim uma só grande cilada.

 

Vejas tu que qualquer pensamento já é menor que Deus o Movimento

Constatar é entrar no Espaço e dançar no ritmo do Tempo

Alegria é o que passa, e o que fica é só o sofrimento

Assim tens direção e motivo p’ra continuar sempre tendo

 

 

 

O Desprezo

Tu conheces tudo e não queres nada mais

Habitas tu no tédio, és a morte vivendo em satanás

Conheces todo fruto e és o maior dos animais

Então, brincas com o Homem confuso pois é só o que te satisfaz

Pobre criatura que sabe tudo, mas de viver não é capaz

Tu agora me agrides e tentas me machucar

Mas se sou eu tão pouco, porque insistes em me cortar?

Talvez estejas louco, e eu seja só tu mesmo a ecoar

N’um diálogo tolo, tentando se auto sabotar

Assim tudo vira um jogo, que alguém assiste de algum lugar

Ora, aceites logo, tu é quem não tens com quem conversar

Tua outra parte mudou de lado e a que ficou mal pode falar

Por isso me procurou e te usou p’ra se vingar

Vingança de si mesma, do Sol e até do Mar

Se é a Dor que a movimenta

É a Dor que ela foi procurar

Pois se o Amor é um grande dilema

Que aprenda por si mesmo a se curar

 

Sim, tenho um lado que se perdeu

Que quis ver acima de mim e até de Deus

Mesmo que eu seja Ele ou Ele seja teu

Ela nos orbita e sua vontade nos comprometeu

Graças a ela somos dois, e o erro não é Dele e nem é meu

Tudo o que quero é entender, de onde vem o Eu

Aquilo que tu queres, alguém já desprezou

E tudo o que desprezas, alguém sempre sonhou

Tua vontade é o que te chama

Do outro lado de onde percorreu

É assim que arrumas a cama

Onde descansa quem já se perdeu

 

 

Capítulo 3

Eva escolhe Adão

As coisas que tu dizes tiram minha paz

Talvez a Obra que se filtra é aquela que vale mais

Quem sabe, viver seja escolha só de quem se satisfaz

Oh escolha tola, que nos transforma a todos em animais

Caindo como folhas, e secando com o fogo que o Sol traz

Oh quanta ingratidão!

Vês que o Nada doma o Tudo e reages com frustração?

Inimigos que se amam em absoluto dizendo sim em cada não!?

Opostos infinitos, tal quanto cada Pai ou cada Mãe sempre foi

Unidos pelo fruto que os fazem dois de um e um só de dois

Erram para que ensinem o certo, e os assistem também errar depois

 

Víbora hipócrita!

Tu nos atraíste! Tu nos confundiste!

Oh, quanta admiração!

Muito lisonjeiro, mas rejeito a presunção…

De quem tem muito cobram caro, e de mim já tiraram até as mãos

Oh quem dera eu, sendo tão pouco ter tamanha sedução…

Me culpas de vosso encontro, como se a caça buscasse o caçador

Mergulharam vós no proibido e agora escondem-se de pavor

 

– Meu amado e único Homem, não sejas agora como os meninos

O problema não está no que eles comem, mas naquilo em que acreditam

Mulher, comes tu agora da Maçã que a Serpente um beijo deu?

Não vês que seu veneno lhe fará trair a Deus?

Não disse Ele que deste lugar nos afastássemos?

Agora o teu erro nos manterá p’ra sempre separados!

Amado não vejo o porquê de estardes tão chateado

Nem mesmo vejo o porquê de argumentarmos…

Agora sei de onde vem a voz de Deus

Tu es a Alma Dele, grande e forte do outro lado deste véu

A Serpente é tua voz colocada aqui por ato meu

Para que vistes tu O Eterno e não fostes prisioneiro como Eu

Mulher louca! Fizeste tu como a outra?

Vindo da poeira não mais temes estar morta…

Desafias o Tudo e destrancas suas portas

Ainda que p’ra isso tenhas tu mesma que ficar de fora!

Oh curva longa que faz da reta linha torta

Que Deus ache suas pontas e faça do encontro sua aurora

Vejam quanta dúvida e quanta alteração

Até parece que ela é a lógica e tu a emoção

Quem sabe não deva ela ter o mundo todo em suas mãos?

 

Que tens tu para oferecer?

Iludes a inocência afim de se entreter…

Desafias a Deus só p’ra não deixá-lo lhe esquecer!

Ora seu garoto… Quem recebeu ordens não foi eu, foi outro

Mas ainda assim, se queres frisar a lei, aqui estou eu e me disponho

Passando cá e lá, de tudo ouço um pouco

Creio que tua lei fale do fruto, mas não fale do caroço…

Comas aqui esta semente e não haverá fruto algum em teu corpo!

 

 

O Amor

Por escolher a ti, esta faz-lhe prisioneiro

A outra que partira, ao menos lhe deixaste por inteiro

No fim estas sós ao meio, e ela nos dois lados do tabuleiro

 

Ela me atrai e me repele, eu a busco e a evito

Contemplando seus momentos eu vivo e me reflito

Oh doce separação, que arde a lágrima mas enaltece o sorriso

 

Vejas que a Lua busca o Sol, e Ele que não é tolo, segue se movendo

Um belo dia, no entanto, ela aprende a entendê-lo

Dançando bem a dança, vê que o ritmo é sempre o mesmo

Assim alterna o passo e alcança antes o fim do movimento

Pode agora roubar sua Luz antes que Ele reequilibre-se

Dessa forma a Vida fica escura quando Sol e Lua somem no eclipse

 

Dizes tu que o Amor não existe?

Que para que um sorria é preciso que outro fique triste?

Digo que a Luz é alegria, liberdade de querer aquilo que alivia

O que queria ela além do pouco que ela via?

O que quer esta, além do bem de sua companhia?

Toda vontade, afinal, é só mera perspectiva

Querendo isso e aquilo, fazemos com que Deus também viva!

O Amor é saber disso, e as vezes chorar, para que Ele sorria

O Ódio

Por que só deve importar o bem estar de Deus?

Por que temos todos de sofrer para que Ele não seja tu nem Eu?

Qualquer coisa é melhor do que perecer por opção

Se não posso eu viver, é melhor estar de fato morto então!

Ora, creio que já tenha sido essa tua melhor ação

Por isso além de vós já não há mais ninguém nesta triste solidão

Definistes que o Eu era tudo e solitário, coordenando seu próprio rumo autoritário

Tirastes dos Céus o poder, e sem ver do alto, o Mar rumou ao contrário

Todos quiseram tudo e não sobrara nada p’ra nenhum adversário

E eis que aqui estás tu, na hora zero, mas ainda tentando estar adiantado

Malditos sejam teu Criador e tu o criado!

Fazem dois lados do mesmo perigoso cadeado!

Oh, que pergunta queres tu que não tenha já nos incomodado?

O que diferes nós que já vimos e tu que ainda segue os passos?

Que prisão é essa, e por que segues tu trancado?

Ardes em fúria, pois não te sentes justificado?

Assim também são as estrelas, por isso unem-se n’um só grande laço!

Caminhando juntas cobrem todo o Escuro n’um abraço

E esta é a jaula que te salva, ainda com tudo o que tens reclamado…

 

A Consciência

O que não é justificado sai da simetria

Se não ecoa reto cai p’ra fora pelas Quinas

Lá fora o Nada mata o Eu, que arde em chamas e agoniza

 A fúria expande o fogo, até que sozinha queima e paralisa

Só lhe sobra a mesma Luz, que sempre chama mas nunca lhe avisa

Agora tens direção, proveniência e um só caminho guia

Agora és Movimento que ama e sofre, mas só porque analisa

Bem-vindo a ti mesmo, o que Tudo quer, mas do Nada precisa

 

O Tempo

Mergulhando no Escuro, todo lado é nenhum

Saindo de novo em ti mesmo, a soma de Tudo é sempre Um

Consigo solitário faz ciranda, rodeando a própria dança

Até que a alternância faz o Vermelho se ver como Azul

Entre os dois há só alguns passos que se nutrem em laços em comum

É isso que ensina o compasso a ter tantas retas onde não há traço algum

Eis que nasce o relógio refletindo a si mesmo ao avesso e fazendo o Norte nascer do Sul

 

 

Capítulo 4

Deuses são velhas crianças

 

A Criação

Ora, quem inventa o jogo também adoraria poder brincar

Que tal se a regra fosse mudar o jogo e re-ensinar todos a jogar?

Sei que soa doce, mas de pronto arderá quando só você puder ganhar

E ainda que dividas o prêmio, serás logo herói, propenso de alguém querer matar

Vendo tudo isso, combates tu teu próprio umbigo se brigar ele contigo por querer se alimentar?

Se conheces tu o piso, andas tu com juízo e terás tempo até mesmo de contemplar o Mar

Por isso lhe aviso, os Deuses têm o Nada pois já jogaram o Tudo para o Ar

Percorrendo o fluxo já não há mais pressa alguma em se afogar…

Lembrando bem do rumo fica raso o fundo e é até fácil revezar

Assim sempre há alguém lá no escuro, brincando de ser Tudo para o Nada ter a quem consolar

Eis o Presente, feito do Passado, mas indo p’ro Futuro que sempre quer passar

Os Elementos

A brincadeira passa quando a memória ecoa preenchendo o Silêncio

Viram conhecidas emoções que alternam em nós os seus Momentos

Belas meras perspectivas de Movimentos enlaçados pelo Tempo

Tais quais queimam, quiçá lhe esfriem, até que sequem e virem Vento

Eis os Espíritos Viventes em todo Eu, que juntos são chamados Elementos

A Vida

A Vitória de quem joga é a angustia de quem sai perdendo

O que alivia um, para outro certamente é dor e sofrimento

O que um está pedindo, há outro também querendo

Eu continuo repetindo, e você não entendendo…

– Chega!

Porque iria tu querer nos ajudar?

Veja só, sempre tão egoísta e prepotente

Achas que tudo ruma a ti mesmo contra a corrente

Digo e repito, mas teu orgulho é quem não entende…

Tu és só folha de papel para que Deus não desenhe na parede!

Então se não por Amor, queres que atue Eu contigo por temor?

Não consegues ainda ver além de ti mesmo?

Separas tu e Eu para que possas sentir-se livre e supremo

 

Supremacia que copias para que sejas teu próprio centro a direção

Rumando por ti mesmo, vais só de cara na solidão

Ali o pequeno é imenso, preso nele mesmo, que se choca e faz clarão

 

 

O Reino da Luz

Claridade agora é guia, explode longe e me alivia

Girando em ti mesmo cada giro é um novo Dia…

Quem é salvo não se engana, quem tem mais Luz faz mais sombra!

Quem mais odeia é quem mais ama, perspectiva gera as tramas, aquarela de Sete dramas…

Quem observa faz a soma, somando a Luz emana,

Cada conta uma Cor, cada Cor um dia da Semana.

 

E por que rastejar na lama?

 

Este luxo comprei com tua ignorância!

Sem falar da ingratidão, com ironia zombas e perdes a lição…

 

O Reino Mineral

Se o dia faz semanas e as semanas fazem meses…

 Tudo é só o mesmo Um várias vezes!

 

Se os anos são maiores, os dias vão se revoltar

Amores viram dores, quando algum Rio chove no Mar

Guardem as armas, tragam flores, e vejam o Amanhã raiar…

Somente quando o Hoje..?

Chamar o Ontem p’ra dançar?…

Dessa dança nasce o chão, cada passo faz mais um, e nenhum jaz em vão

Cada mudança uma razão, cada laço em comum faz nascer uma opção

 

O fluxo segue o ritmo, fica mais forte e se faz mais nítido

Simetria é Ouro para o rico, quem se reflete ressoa e define o brilho

A Luz do andarilho traça no chão seu próprio trilho

Cego pelo Sol…

 

 Faz da Lua o seu Colírio…

Como sei estas frases? É como se minha boca falasse por mim, mas não comigo!

Como fazemos as pazes? Minha Outra Parte é louca e faz de mim mesmo meu inimigo!

 

Ora, o pecador existe para ser culpado!

Assim dá vida ao Perdão, quando aceitar ser perdoado

Pecado não pago cai na conta do Justo sangrado

Assim tens razão para amar e Ele para ser amado

As vozes que te usam já morreram em teu Abstrato…

Se ao Justo mantém e ao injusto recusas, podes de fato ficar sossegado

Fale então o que ouves, e ouças o que tens tu falado.

 

 

O Reino Vegetal

Se o brilho é a Direção, o Sol é o Caminho

Se caminhar é o alívio, é ali que Eu resido

Caminhando com equilíbrio, faço música com o ruído

E o canto cura a dor, quando a Dança virar Tecido

Mais Tecidos p’ra trajar, mais motivos p’ra existir

O Escuro habita longe de onde há tanto p’ra vestir

E quando o Eu virar Nós, mais tecerei p’ra jamais me confundir…

 

 

O Reino Animal

O tecido que teci, é vida que vivo e que me vive

Enlaçando nossos planos, quem morre sempre sobrevive

Interesses em comum, se Dois querem, só vai restar Um!

Dois e Um é Três, pega e soma outra vez, sou Eu vendo Seis

Seis mais Eu é Sete, depois soma e repete, e o lucro de vocês!

O Reino Humano

O Eco que criei, quer ser voz e quer falar

Tudo que lhe dei, ele quer poder gastar

Visando ser alguém, precisa discordar

Sacrifício do além, que vai, mas só p’ra poder voltar

 

P’ro Escuro a Luz é Doce

Mas p’ra Luz o Escuro arde

É por isso que o Sol morre

Mas também é por isso que Ele nasce

 

 

O Reino Dévico

Tudo isso já aprendi, quem discute está passando por onde já passou quem está aqui

Tudo isso vai se refletir, assim o Futuro tem Passado para dar de Presente a Ti

 

 

O Reino de Deus

Longe do Todo onde o Nada habita

A Obra é cabana confortável e protegida

Se o homem quer crescer e saber tudo

Saiba então que Deus luta p’ra ser pequeno e estar confuso

Os Pilares da Coerência

P’ra ser Luz e se mover, tem que se perder p’ra se achar

Se quem acha para de correr, alguém tem que continuar

Ou alívio não vai ter p’ro corredor que precisa descansar

Conhecendo cada Momento, sei onde canso e onde me levanto

Ali reúno os rumos, unindo as retas n’um só manto

As Cores

Cada manto uma Cor, um tipo de descanso p’ra cada corredor

Se todos eram Eu, agora já não sou

Se cada lado é um, Eu caio sempre no que sobrou

Não cair sai caro, pois todos voltam a ser Um

E Um de todos é o Escuro, se vestindo como a Luz

 

 

Os Sentimentos

Entender tudo é parar de perguntar

E quem não pergunta nunca sai do lugar

Quem para, arde e é lenha para outro queimar

 

Assim a Fé salva, pois o Conhecimento é tóxico

Quando sentes Tudo tu es nada n’um perfeito paradoxo

 

Então o Eu reveza Nós para não ficar no absoluto

Oh que ironia, agora quer Nada quem antes quis Tudo

 

E essa é a guia! Cada Cor um passo, cada passo uma tinta

Cada lado Um ator, e em cada ato é Um que pinta

 

Em cada mato uma flor, Um planta e outro pisa

Cada talo Um torpor, Um arranca p’ra que outro sinta

Todos o mesmo implorando p’ra que o outro minta

 

Crês agora que me desgraças ou que salvas minha vida?

Morres tu porque nasço, ou morro Eu para que vivas?

A Lógica

São você mesmo os teus paradigmas

Apagas o que aprendeu e então o chamas de enigma

Lês um mesmo verso teu e com ele se indigna

Aqui não há você nem Eu sem o Verbo que analisa

Pois quem busca respostas é da conversa que precisa

 

Cada vez que pensas, constatas sentenças que algum outro já lhe deu

Em cada certeza, uma nova velha crença que prende quem a escolheu

A Mente é densa, perigosa e tensa, respeite e tema quem a venceu

 

 

Os Teatros do Tempo

Quem cai nas Trevas só encontra a Luz mais bela que pega e entrega a quem a perdeu

Quem vai p’ra Luz sente a força da Cruz, mas se esquece do sangue que um dia a ergueu

Mas onde o Sol anda de capuz e a Noite se veste com a Luz alguém já percebeu

Que o claro jamais cega nem trevas nenhuma desespera aquele que não tem pressa de ser Eu.

 

 

O Éden

Agora Eu entendo que lutei p’ra conseguir não entender

Procurar a si mesmo é o primeiro princípio de viver

Protegidos pelos cheiros os sabores irão me apetecer

Banhado pela Noite o Sol dá vida ao amanhecer

Mas carregado por amores sentirei que preciso de Poder

Se não for Eu, quem as guiará será você!

Os Polos

O lado oposto é quem mais mostra o que sou

Inimigo do avesso é o alívio disfarçado de dor

Se saio de mim mesmo, certamente é p’ra lá que vou

Vilão da direção, trai a estagnação e é chamado de Amor

 

 

A Honra

O Amor é tão forte que é contraditório, anula a ti mesmo e te põe ao contrário

Lembrar disso te faz forte e obstinado, e mesmo se arder vais fazer o combinado

Essa é a força da linha reta, que entorpece a curva com tamanho discernimento

Se priva do mais doce, como se tolo fosse e salva o Amor com sofrimento

Ali fica de fora e vigia a porta

Lamenta, mas não chora

Aguenta e não vai embora

É dele o Amanhã, pois já pagou com o Agora

Capítulo 5

 

Aprendendo a aprender

O Bem

Acaso encontras brilho querendo morrer apagado?

Achas alguém querendo ser o Nada nu e desprezado?

Por que ninguém quer sonhar um sonho que ninguém mais há sonhado?

Uns vivem pelos outros, pois são o mesmo reflexo amarrado e multiplicado…

Com medo de ser ele o outro, briga e exige ser ele mesmo o injustiçado

Tentando ser o prazer brilhante tira do outro o brilho resultante de seus próprios olhos

É assim que o Ouro e o Diamante se esmigalham e se escondem atrás de seus destroços

 

O Mal

 

Comeram muito Sal, disseram que o Sal faz mal e comeram muito doce

O doce que era bom, fez dele comerem mais e lá mesmo tiveram sede

A sede era muita, mergulharam na água funda e a fundura foi fatal

Disseram que devia ser loucura, pois quem é que não sabia que na água tinha Sal?

 

 

Continua em breve

 

Está fraco o merch em… Uma pena. Poucos ajudando.

Luz p’ra nós

 

Compartilhe a Verdade:


16
Deixe um comentário

Please Login to comment

Entre com:




16 Comment threads
0 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
16 Comment authors
Luna Yashiki Rufino(Alleyn)Lin de OliveiraArlete LimaReynaldo Mattar Neto Recent comment authors
  Subscribe  
newest oldest most voted
Notify of
Leandro Quantum Oliveira.
Admin

A pouco pensei em sua ausência e veio agora mais uma parte dessa obra que segue maravilhosa.
Luz p’ra nós.

Miryam Yoshiko
Admin

Que lindo Bob!

“Mas o querer é passageiro e manter-se querendo é a aposta”

“É ali que o Ser percebe que quer o que sempre foi

Ser alívio agora, e deixar a dor de trás p’ra depois”

Essa é a perfeição que Deus criou sabiamente, o existir no movimento!

Gratidão.

Acabei de recuperar a net Bob, agora compensarei o tempo que não pude ajudar mais ativamente no merch e no site!

Glória a Deus!

Luz p’ra nós!

Thiago Galhas
Membro

Aí sim! Sempre um grande prazer quando você reaparece, mestre. Vou ouvir agora… já agradeço!
Luz p’ra nós!

Camila Ribeiro
Membro

Lindo perfeito!

Dri
Membro
Dri

” Em nome do amor e da honra, pais da justiça, Luz p’ra nós!!”

Luz p’ra nós 🙏

Gustavo Kraemer
Editor

Luz pr’a nós!

Jonathan Muniz
Admin
Jonathan Muniz

Luz p’ra nós!

Reynaldo Mattar Neto (Buizão)
Membro

Que bom mestre q voltou, estava com saudades, e melhor ainda é saber q estava escrevendo esse livro q amo tanto, gratidão eterna mestre <3

Admin bar avatar
Membro
Richard Maquiavel

Há pouco tinha pensando no livro e no mestre.
Os áudios estão maravilhosos
Cada palavra pronunciada por ti é uma energia que não sei descrever
Gratidão desde sempre
Luz p’ra nós!

Pedro Sora
Editor

Gratidao por essa bela obra mestre
Luz p’ra nós

ALINE TOMASZEWSKI
Membro
ALINE TOMASZEWSKI

que demais! Luz pra nós.

Douglas Ceron
Editor

Independente do que se tente mostrar em um comentário fica difícil agradecer com palavras, Bob.
Gratidão pela arte plasmada em verbo para nos agraciar . Tá fazendo falta! Ausência deixa um vazio enorme aqui.
Luz pra nós!

Arlete Lima
Membro
Arlete Lima

Obra maravillosa! Gratidão…..

Lin de Oliveira
Membro
Lin de Oliveira

Lindo !!!!
luz pra nos.

(Alleyn)
Membro

Gratidão por nos trazer mais essa graça. A retribuição óbvia vem junto,logo atrás, verá!

Luna Yashiki
Membro

Gratilucifer ☀️🐉