Casa ecológica em favela é exemplo de solução ambiental em SP

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Em vez de muros, são bambus espaçados que margeiam a rua de terra batida do acesso principal da favela. Entre as cercas, é possível antever a horta.

Há pés de couve, taioba, quiabo, todo tipo de temperos, legumes e umas abóboras grandonas. A trepadeira de flores cor-de-rosa enfeita o portão principal da casa de 100m2 que deixa à mostra estruturas de paredes feitas com barro, garrafas de vidro e erigidas com o suor dos moradores da favela Vila Nova Esperança,onde moram 600 famílias, no extremo oeste de São Paulo, já na divisa com o município de Taboão da Serra.

Ali funciona o espaço sustentável da comunidade, ou seja, um complexo composto por áreas de plantio e de convivência, com brinquedoteca, biblioteca e cozinha industrial.

Tudo foi feito com técnicas de bioconstrução que, segundo o Ministério do Meio Ambiente, adota tecnologias de mínimo impacto ambiental por meio de técnicas de arquitetura adequadas ao clima, que valorizam o tratamento correto de resíduos, o uso de recursos matérias-primas locais e o aproveitamento dos conhecimentos das próprias pessoas da região. Saberes ancestrais de construção de pau-a-pique, também conhecida como taipa de mão, por exemplo, é bioconstrução.

“Na Bahia tem muita casa de barro, é difícil ver de madeira, papelão. Quando a pessoa não tem condição, ela constrói com a terra e foi isso o que fizemos aqui”, relembra a moradora e líder comunitária Maria de Lourdes Andrade de Souza, mais conhecida como Dona Lia.

Baiana de Itaberaba, ela aprendeu a técnica quando criança, vendo a família e vizinhos construindo moradias. Para fazer um muro, ela conta que o primeiro passo é fazer a estrutura de hastes de madeiras na vertical, fixas no chão. Depois, deve-se entrelaçar o bambu na horizontal. Aos poucos, os quadrados vazios são preenchidos com barro.

Dona Lia conta que mesmo com todo esse movimento urbano no entorno, a comunidade de Vila Nova Esperança permaneceu ignorada. Água encanada, por exemplo, só chegou em 2005. Luz? Só em 2014… A favela foi alvo de despejo em 2011, quando o ônus por toda a poluição e devastação da mata recaiu sob os moradores. “A polícia veio aqui retirar todas as famílias mas fomos buscar nossos direitos e o juiz decidiu que temos direito de estar aqui.

Foi então que aí que a líder comunitária pediu autorização para usar um terreno público ao lado da comunidade, que era um lixão. Dali nasceu a horta orgânica comunitária e até uma moeda local, a esperança, que passou a remunerar com legumes e verduras os trabalhadores que cuidavam do plantio. Construída em 2013, a horta ganhou um prêmio Câmara Municipal da Prefeitura de São Paulo.

No ano passado, o sucesso da cozinha impulsionou a construção de áreas de convivência, com mesas e espaços para aulas e cursos. Entre eles, claro, os de bioconstrução.

“Aprendo muito com a natureza. No meio ambiente tudo foi feito para todo mundo andar junto, cada um respeitando a posição do outro e fazendo o planeta girar”, acredita Lia.

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João PedroKaique AguiarAdmin bar avatar Recent comment authors
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Richard Maquiavel

Dando uma “aula” para o mundo.

Kaique Aguiar
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Kaique Aguiar

Exemplo de verdade!

João Pedro
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Perfeitamente sustentável!
Luz pra nos!