A prisão do DJ Rennan da Penha escancara o racismo do processo de criminalização do funk.

RENNAN - A prisão do DJ Rennan da Penha escancara o racismo do processo de criminalização do funk.

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No dia 20 de março um desembargador mandou prender o DJ Renan da Penha, um dos DJs do Baile da Gaiola,o maior baile funk do Rio, e dez pessoas envolvidas com o evento.

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Renan já tinha sido inocentado da acusação de associação ao tráfico de drogas na primeira instância, por falta de provas. O Ministério Público apresentou um recurso, e Renan foi condenado na segunda instância. A acusação, baseada em argumentos racistas, é mais uma tentativa de criminalizar o funk.

 

Argumentos racistas
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01) Argumento do desembargador: Rennan tem uma foto com uma arma.

Realidade: A foto que consta na sentença é com uma arma de mentira e a juíza da primeira instância já inocentou Rennan após ver a foto.

 

.02) Argumento do desembargador: As músicas de Rennan fazem apologia ao tráfico de drogas.

Realidade: As músicas apenas falam sobre o cotidiano da favela.

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03) Argumento do desembargador: Rennan seria “olheiro” do tráfico por enviar mensagens em grupos do Whatsapp, como “o caveirão está subindo a Rua X”.

Realidade: Esse é um tipo de mensagem comum em grupos de moradores de favelas, já que a atuação da polícia é violenta e muitas vezes os caveirões entram em ruas estreitas causando danos nos carros e atirando contra a população.

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04) Argumento do desembargador: Os bailes seriam financiados pelo tráfico para aumentar a vinda de pessoas para consumirem drogas.

Realidade: Os bailes são financiados por comerciantes locais, pois além de uma atividade cultural de lazer, também geram emprego e renda para a favela.

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05) Argumento do desembargador: Rennan estaria vinculado ao tráfico por já ter lamentado a morte de moradoras de favela.

Realidade: Não é crime lamentar a morte de alguém que você viu crescer. Compartilhar a dor da morte de uma pessoa, independente dos erros que ela tenha cometido, não te faz um traficante e sim um ser humano.

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O racismo e a criminalização do Funk
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Cultura popular
O funk surge no Brasil como um ritmo de expressão popular e negra, cantando as dores e os prazeres do cotidiano das favelas.
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Não é a primeira vez
Assim como o samba, reggae, soul, blues, jazz, que são de origem negra e pobre, o funk também sofre preconceito por parte da elites.
Mas quando toca…
Ao longo das últimas décadas o funk veio ganhando fãs em todas as classes sociais, até se tornar um dos maiores ritmos do Brasil, de sucesso no mundo todo.
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Atrás das câmeras
O sucesso internacional de artistas como Anitta não impediu que parte da polícia, da justiça e dos governos continuem tentando acabar com os Bailes nas favelas e periferias.
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Policiais destruindo bailes
Durante o governo Sérgio Cabral, dentro e fora de territórios de UPPs, muitos foram os casos onde policiais destruíram, com o uso de Caveirões, os equipamentos e estruturas de som dos bailes (veja abaixo alguns casos).
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Governo Witzel
Ao assumir o governo, Wilson Witzel, aumentou ainda mais a perseguição dos bailes, mudando de lugar os coronéis da polícia que não estiverem seguindo essas práticas violentas.
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Caveirão destrói som na favela do Mandela

Caveirão do Bope destroi baile funk e toca terror na favela!

Vídeo em defesa do DJ Rennan da Penha

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A criminalização vai na contramão do reconhecimento recente do funk como patrimônio cultural, que vem sido feito por secretarias de cultura do governo e da prefeitura, além da Alerj e da Câmara de Vereadores.
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Âmbito Estadual

Sancionada em setembro de 2009 pelo governo do estado, a Lei 5.543/09 determina que cabe ao poder público assegurar ao movimento do funk a realização de suas manifestações como festas, bailes ou reuniões, sem quaisquer regras discriminatórias e nem diferentes das que regem outras manifestações da mesma natureza.

Determina, também, que não são considerados parte do movimento conteúdos que façam apologia ao crime e fica proibido qualquer tipo de discriminação ou preconceito, seja de natureza social, racial, cultural ou administrativa, contra o funk ou seus integrantes.

Os assuntos relativos ao funk devem passar a ser tratados pelos órgãos de cultura do Estado e os artistas do funk devem ter os direitos respeitados como agentes da cultura popular.

A Lei 5.544/09, também sancionada em setembro de 2009, revogou as regras que dificultavam a realização de bailes funk.

 

Âmbito Municipal

Em outubro de 2018, a Prefeitura deu o primeiro passo para reconhecer o funk como Patrimônio Cultural da cidade.

O município criou o Programa de Desenvolvimento Cultural do Funk Tradicional Carioca, para fortalecer o gênero por meio de capacitação profissional de agentes culturais do funk.

O texto do programa menciona a identidade cultural da diáspora africana no movimento, influenciado pela música eletrônica negra norte americana, o Hip-hop e ritmos do subúrbio negro carioca do final da década de 1970 e informa que a Prefeitura irá disponibilizar aparelhos culturais para promover e difundir o movimento.

No texto, Crivella destacou o fato do funk carioca consistir em importante manifestação cultural popular do município.

 

Considerações finais

O funk é o grito de guerra dos sofredores da favela, daqueles que nunca tiveram uma base solida para crescerem cidadãos de “bem” , pelo contrário foram abandonados pela justiça e são tratados como inimigos da sociedade.

O funk é a realidade de um pais que fecha os olhos para o sofrimento de seu povo, os funkeiros retratam nas suas letras a vontade de viver, gozar dos prazeres, a vontade de ter uma vida digna que nunca tiveram, o estilo aborda todos os tipos de temas dês de sexo, humor, política, superação e etc…, é um estilo rico em diversidade, dependendo da criatividade de cada um.

Como diz o mestre Bob Navarro nenhum bebê nasce querendo ser bandido e nem querendo ser odiado, todos nascem querendo sorrir.

Através do funk as favelas passaram a ganhar visibilidade por todo o pais, atraindo assim o foco para as questões sociais e principalmente para o descanso do governo com o povo sofredor.

O funk se tornou a esperança para milhares de jovens brasileiros que antes nas favelas só conheciam a perspectiva da criminalidade como realidade, pois través da música aqueles que antes estavam as margens da sociedade hoje estão levando espereça, humor e energia para multidões,  jovens que antes sonhavam em ser “chefe de boca”, hoje sonham em ser Djs, Mcs, dançarinos, produtores e etc..

De fato o funk vem a cada dia provando ser um dos maiores combatentes na retirada de jovens do mundo do crime, tornando-se uma luz no fim do túnel e motivo de orgulho para as comunidades pobres de todo o país.

 

 

Cada clique é um tijolo pro Reino!

Luz p´ra nós.

 

 

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Sayler Céfas 666W.Silva Recent comment authors
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W.Silva
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Totalmente correto essa matéria, através do funk podemos ser ouvidos pela sociedade já que o governo não faz nada para melhorar as comunidades carentes em nosso país. Lembro das letras dos mc’s aqui da baixada santista que foram misteriosamente assassinados MC Careca, Mc Duda do Marapé, MC Felipe Boladao, Mc Leke, Mc Primo e MC Daleste. Ambos cantavam musicas que pra sociedade era apologia ao crime mas eles estavam apenas relatando como é difícil viver num lugar abandonado pelo estado e os governantes, onde a união faz a força e o crime organizado gerência. É a lei do mais forte.… Read more »