Os 190 anos do mais bem-sucedido projeto de colonização germânica nas Américas

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Alemães em Santa Catarina uma história de amor e superação

Os 190 anos do mais bem-sucedido projeto de colonização germânica nas Américas

 

A Herança Alemã de Santa Catarina

Santa Catarina é o estado mais germânico do Brasil. Cerca de 25% de seus quase 7 milhões de habitantes têm ascendência alemã. São catarinenses que carregam sobrenomes como Schmitz, Müller, Schneider, Hoffmann, Stein, Gesser, Richter, Schramm, Becker, Ruschel, entre tantos outros que estão integrados ao nosso
cotidiano. Qualquer pessoa que vive em Santa Catarina, independentemente da origem e da região em que mora, certamente encontra vários descendentes de alemães no seu circuito de amizades e de relacionamentos profissionais.

São muitos os exemplos notáveis de catarinenses descendentes de alemães, nas mais diversas áreas. Nos esportes, podem-se citar o tenista Gustavo Kuerten, o nadador Fernando Scherer e o jogador de basquete Tiago Splitter. No mundo do entretenimento, as atrizes Vera Fischer e Bruna Linzmeyer, o ator Rodrigo Hilbert e a modelo Mariana Weickert. Na cultura, a artista plástica Elke Hering, o cineasta Sylvio Back e o poeta Lindolf Bell. Na religião, Dom Eusébio Scheid, Leonardo Boff, Dom Paulo Evaristo Arns e sua irmã Zilda Arns. No universo da política, vários senadores e governadores, como Felipe Schmidt, Heriberto Hülse, Lauro Müller, Irineu Bornhausen, Adolfo Konder, Jorge Konder Bornhausen, Antônio Carlos Konder Reis, Vilson Kleinübing, Paulo Bauer e Dário Berger.

Muitas das cidades, empresas e tradições culturais catarinenses são consequência direta da chegada de imigrantes alemães a partir de meados do século 19, um movimento que mudaria para sempre o perfil de uma parte do Brasil que até então permanecia um tanto isolada. Estima-se que 400 mil alemães tenham se mudado para o Brasil, boa parte deles tendo Santa Catarina como destino. A influência trazida por esses pioneiros foi multiplicada nas gerações seguintes, que levaram adiante, com perseverança e dedicação, o trabalho iniciado por seus pais, avós e bisavós.

O início dessa história de amor não foi um mar de rosas, entretanto. Ao contrário, só mesmo com muita determinação e vontade de vencer foi possível superar os obstáculos que surgiam. A começar pela viagem da Europa ao Brasil, extremamente penosa. Era preciso vencer 12 mil quilômetros a bordo de veleiros superlotados,
enfrentando escassez de comida e água, além da ameaça de doenças potencialmente fatais à época, como tifo e sarampo. Isso sem falar nas tempestades, que chegaram a provocar o naufrágio de algumas embarcações, causando a morte de dezenas de imigrantes.

Em meados do século 19, a sociedade alemã enfrentava uma série de turbulências. Para os mais pobres, buscar um recomeço em terras distantes foi a única alternativa à miséria

Aqueles que conseguiam chegar se decepcionavam com o que encontravam na província de Santa Catarina, já que praticamente nada coincidia com as promessas feitas na Europa pelas companhias de colonização. Em vez do paraíso anunciado, havia manguezais, matas virgens, cobras, onças, índios, milhões de mosquitos e outros insetos peçonhentos, enchentes, doenças tropicais e pífio apoio governamental. Mas era o que tinha. Depois de deixar tudo para trás, retornar à Europa não era uma opção.

Mesmo com todos os desafios que representava, o Brasil seria dali em diante adotado como a casa desses corajosos pioneiros – que, apesar do quadro desolador, conseguiam enxergar as muitas oportunidades oferecidas por um país novo, com praticamente tudo a ser feito.

As viagens da Europa à América do Sul eram feitas em condições precárias

A maioria das viagens partia do porto de Hamburgo. Muitos dos que embarcavam cheios de esperança nem sequer conseguiriam chegar, por conta de naufrágios e doenças

A Herança Alemã de Santa Catarina

Os imigrantes persistiram e enfrentaram de peito aberto cada adversidade que surgia – contribuindo, assim, para a construção daquela que se tornaria a mais bem-sucedida saga de colonização germânica em toda a América Latina. Incansáveis na dedicação ao trabalho, de sol a sol, os alemães recém-chegados limparam os terrenos, lavraram o solo, plantaram, diversificaram as culturas, criaram animais, construíram suas casas, fizeram negócios, fundaram estabelecimentos comerciais e implantaram em Santa Catarina a Revolução Industrial, reproduzindo em terras brasileiras o movimento

Ao encontrar condições difíceis no Brasil – tudo estava por fazer –, os pioneiros enfrentaram trabalho duro de sol a sol

europeu caracterizado pela introdução maciça de máquinas que substituíram ou aumentaram consideravelmente a produtividade do trabalho artesanal.
Os colonos alemães estabelecidos em Santa Catarina criaram uma classe média formada por pequenos agricultores, artesãos, professores e técnicos de especialidades até então inexistentes no Brasil. Desenvolveram um bem-sucedido sistema de pequenas propriedades, reunidas em torno de vilas rurais com características fortemente

Comunitárias. Essa força coletiva fez nascer e impulsionou o desenvolvimento de importantes cidades do norte e do nordeste catarinenses, onde se localiza o Vale do Itajaí, símbolo da prosperidade que transformou a pequena e antes esquecida Santa Catarina em uma das principais potências econômicas entre todos os estados brasileiros. Blumenau, Joinville, Jaraguá do Sul, Brusque, São Bento do Sul, todas altamente industrializadas e com padrões de qualidade de vida compatíveis com os do Primeiro Mundo, têm DNA alemão.

O legado da intensa relação entre Santa Catarina e Alemanha, consolidada ao longo das décadas, faz-se presente no dia a dia dos catarinenses, nos mais diversos
setores da sociedade. Os imigrantes alemães fundaram mais de 300 escolas e disseminaram associações culturais e esportivas. Se hoje Santa Catarina é considerado
o principal centro de dança no país, é por influência direta dos alemães.

As famílias levavam o excesso da produção para venda ou troca nas áreas centrais das colônias

 

A relação especial que os catarinenses têm com as flores, inclusive realizando uma série de festas para celebrar sua beleza e seu colorido, é herança germânica. A cultura dos exercícios físicos e da ginástica também foi implantada entre os catarinenses pelos imigrantes alemães.

Há ainda a arquitetura típica, com a habilidosa junção de hastes de madeira e tijolos que caracteriza o estilo enxaimel, e a gastronomia repleta de pratos deliciosos, a exemplo de marreco, repolho-roxo, chucrute, diversos tipos de salsichas e eisbein, o joelho de porco. Entre as sobremesas, destacam-se o strudel, massa folheada de maçã; a cuca, espécie de pão doce coberto por variados sabores, que podem ser apenas a tradicional farofa ou frutas como banana ou morango; e, claro, a torta
alemã, presença obrigatória no cardápio das confeitarias de todo o país, feita de bolachas e manteiga, com cobertura de chocolate.

O progresso das colônias foi construído, dia após dia, com muito trabalho

 

 

A rica herança cultural alemã é celebrada anualmente com a realização da maior festa da cerveja realizada fora da Alemanha, a Oktoberfest de Blumenau, capaz de reunir quase um milhão de pessoas a cada edição. Criada em 1984, para levantar o ânimo da população blumenauense depois das grandes cheias que devastaram o Vale do Itajaí naquele período, a festa já atraiu cerca de 25 milhões de pessoas ao longo de sua história. Outras versões da Oktoberfest e outras celebrações de origem alemã – como a Fenarreco, em Brusque; a Bierfest, em Joinville; e a Schützenfest, em Jaraguá do Sul – são realizadas com o mesmo objetivo de homenagear a memória dos antepassados e celebrar as conquistas obtidas ao longo de décadas de muito trabalho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das imagens mais antigas da
Colônia Blumenau, em 1860. Ao
centro, o barracão que abrigava os
imigrantes assim que chegavam.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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30/05/2019 8:09 am

Poxa, que matéria rica…um breve estudo da historia recente! Grato, irmão! Luz prá nós!

Camila Ribeiro
30/05/2019 11:22 am

Tive a oportunidade de conhecer o sul, foi dificil contem as emoções os olhos ficavam marejados vendo tanta beleza que lá contém!

Thiago Galhas
30/05/2019 9:31 pm

E neste mesmo local, se encontra a sede da Nova Atlântida… “não há coincidência onde tudo coincide”. Beleza de matéria, irmão.
Luz p’ra nós!

Pedro Saints
Editor
30/05/2019 6:30 pm

muito legal a matéria, muitas informações interessantes
Luz p’ra nós!

Miryam Yoshiko
Admin
31/05/2019 1:31 am

Linda história 🙏
Não há coincidência onde tudo coincide.
Jaraguá do Sul 😍

Ariel dos Santos
31/05/2019 1:59 pm

Que matéria boa, cheia de informações, gratidão por todo o conhecimento que trouxe, luz p’ra nós!

Admin bar avatar
18/06/2019 3:28 pm

Que lindoo, amo a história do povo alemão tenho muita vontsde de conhecer o sul e conhecer um pouco mais sobre. Otima matéria so me instigou mais a conhecer-los, gratidão.

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